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Arapiraca,09/03/2026

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Trump diz que oferecerá asilo a seleção iraniana de futebol feminino após jogadoras não cantarem hino

ogadoras participam da Copa da Ásia, que ocorre na Austrália. Elas foram rotuladas de 'traidoras' pelo governo iraniano. Fala de Trump contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado.

G1
Trump diz que oferecerá asilo a seleção iraniana de futebol feminino após jogadoras não cantarem hino Jogadoras da seleção iraniana de futebol feminino durante a execução do hino nacional iraniano antes de partida na Copa da Ásia, em 8 de março de 2026. — Foto: Dave Hunt/AAP Image via AP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (9) que está disposto a conceder asilo à seleção de futebol feminino do Irã, caso o governo australiano não conceda. As jogadoras estão na Austrália para a Copa da Ásia.

A declaração do republicano contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado.

O governo do Irã classificou a equipe como "traidora em tempos de guerra" após as jogadoras se recusarem a cantar o hino do país antes de uma das partidas do campeonato. A seleção iraniana perdeu o último jogo e teria de regressar ao Irã, mas associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália conceda asilo ao time.

Segundo torcedores, as jogadoras vinham enviando sinais de socorro durante as partidas e pela janela do hotel onde ficaram hospedadas. O governo da Austrália ainda não sinalizou se vai conceder asilo (leia mais abaixo).

Em publicação na sua rede social Truth Social, Trump disse que a Austrália estava "cometendo um terrível erro humanitário" ao permitir que a seleção feminina de futebol iraniana fosse enviada de volta ao Irã. Ele pediu ao primeiro-ministro australiano que concedesse asilo às jogadoras da equipe e disse que estava disposto a acolher o grupo, caso a Austrália se negue.

"A Austrália está cometendo um terrível erro humanitário ao permitir que a Seleção Nacional Feminina de Futebol do Irã seja forçada a retornar ao Irã, onde muito provavelmente serão mortas. Não faça isso, Sr. Primeiro-Ministro, conceda ASILO. Os EUA as acolherão se o senhor não o fizer", escreveu o norte-americano.

Após a publicação, Trump disse ter falado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e afirmou que o premiê "está cuidando" do assunto. Segundo o presidente norte-americano, Albanese afirmou que cinco jogadoras da seleção do Irã já haviam sido "atendidas" pelo governo australiano, mas não informou o tipo de atendimento a que foram submetidas.

"Ele (Anthony Albanese) está cuidando disso! Cinco jogadoras já foram atendidas e as demais estão a caminho. Algumas, no entanto, sentem que precisam voltar porque estão preocupadas com a segurança de suas famílias, incluindo ameaças que seus familiares podem sofrer caso não retornem. De qualquer forma, o Primeiro-Ministro está fazendo um excelente trabalho lidando com essa situação bastante delicada. Deus abençoe a Austrália!", escreveu.

Declaração de Trump contrasta com deportações

No ano passado, o governo dos EUA expulsou centenas de cidadãos iranianos dos Estados Unidos, dentro da política de imigração de Trump. O governo iraniano disse que cerca de 400 iranianos que vivam nos EUA foram deportados no ano passado.

Uma reportagem do jornal norte-americano "The New York Times" afirmou que pelo menos cem cidadãos iranianos deportados eram refugiados e foram expulsos por um acordo secreto entre Washington e Teerã. Os dois governos não comentaram a reportagem.

A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira (9) ter "sérias preocupações" com a seleção feminina iraniana de futebol.

A campanha das iranianas na Copa da Ásia, sediada na Austrália, começou no último fim de semana, justamente quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã.

A equipe iraniana foi eliminada no domingo (8), após perder por 2 a 0 para as Filipinas. Torcedores agitaram a bandeira iraniana anterior a 1979, vaiaram o hino nacional e tentaram impedir a saída do técnico da equipe, gritando "Salvem nossas meninas!", em meio a preocupações com a segurança das jogadoras após o silêncio durante o hino.

Mais de 66 mil pessoas também assinaram uma petição pedindo ao governo australiano que garanta que as jogadoras, que estão em Queensland, não deixem o país "enquanto persistirem temores por sua segurança".

O presidente da FIFPRO para a Ásia e Oceania, Beau Busch, afirmou que a federação não conseguiu contatar as jogadores para discutir se elas gostariam de pedir asilo à Austrália.

"A realidade no momento é que não conseguimos entrar em contato com as jogadores. Isso é extremamente preocupante. Não é novidade. Isso vem acontecendo desde que a repressão se intensificou em fevereiro e janeiro", disse Busch a repórteres.

"Portanto, estamos realmente preocupados com as jogadoras, mas nossa responsabilidade agora é fazer tudo ao nosso alcance para garantir que elas estejam seguras".

Busch disse que a organização está trabalhando com a Fifa, a Confederação Asiática de Futebol e o governo australiano para garantir que "toda a pressão seja exercida" para proteger os jogadores e dar a eles "autonomia sobre o que acontecerá a seguir".

"É uma situação realmente desafiadora", disse ele. "Pode haver jogadoras que queiram retornar. Pode haver algumas jogadoras dentro do grupo que gostariam de pedir asilo e permanecer na Austrália por mais tempo".

'O ápice da desonra'

A decisão das jogadoras de permanecerem em silêncio durante o hino nacional do Irã antes da primeira partida, contra a Coreia do Sul, foi considerada por um comentarista da emissora estatal iraniana como o "ápice da desonra".

"Traidores em tempos de guerra devem ser punidos com mais severidade", afirmou o apresentador Mohammad Reza Shahbazi.

Quando cantaram o hino e prestaram continência antes da segunda partida contra a Austrália, isso gerou temores entre ativistas de direitos humanos de que a equipe tivesse sido coagida por agentes do governo.

A técnica da seleção iraniana, Marziyeh Jafari, afirmou apenas que as jogadoras estavam ansiosas para retornar ao país. "Estamos aguardando ansiosamente o retorno", disse ela em uma coletiva de imprensa após a partida.

A maior parte do espaço aéreo no Oriente Médio permanecia fechada nesta segunda-feira devido à guerra no Oriente Médio.




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