Justiça condena PMs por desaparecimento de jovem após mais de uma década em Maceió
Foto: Divulgação Após quase 12 anos de espera, o desaparecimento do adolescente Davi Silva, ocorrido em 2014, teve um desfecho judicial em Maceió. O Tribunal do Júri condenou quatro policiais militares acusados de participação no crime, que aconteceu no bairro Benedito Bentes e ganhou repercussão ao longo dos anos pela ausência do corpo da vítima.
De acordo com as investigações, Davi, então com 17 anos, foi abordado por uma guarnição policial junto com um amigo, que acabou sendo liberado. Desde aquele momento, o adolescente nunca mais foi visto. O inquérito apontou que ele teria sido sequestrado, torturado e morto, com posterior ocultação do cadáver — que até hoje não foi encontrado.
Os réus — Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e a ex-policial Nayara Silva de Andrade — respondiam por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Mesmo levados a julgamento, eles aguardavam a decisão em liberdade. O júri teve início na segunda-feira (4) e foi concluído na noite da terça-feira (5), após já ter sido adiado em outras ocasiões.
Durante os debates, o Ministério Público de Alagoas destacou inconsistências nos depoimentos dos acusados e reforçou a tese de que houve abuso de autoridade na abordagem. A promotoria também ressaltou que o caso não representa a atuação geral da corporação, mas sim a responsabilização individual de agentes envolvidos em crimes.
Já a defesa dos policiais sustentou, ao longo do julgamento, que não há provas concretas da participação dos acusados no desaparecimento e na morte do jovem, negando qualquer envolvimento direto no caso.
A decisão encerra uma longa espera por respostas da família e marca um capítulo importante na busca por justiça em um dos casos mais emblemáticos de desaparecimento em Alagoas.




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