Severino Angelino / Saúde Mental
O controle das massas em tempos de redes sociais
Algoritmos decidem o que vemos, reforçando crenças, emoções e polarizações.
Foto: Reprodução UNICEPAs redes sociais transformaram profundamente a forma como as massas são influenciadas. Se antes o controle se dava por meios mais visíveis — como a mídia tradicional ou discursos oficiais — hoje ele acontece de maneira sutil, fragmentada e constante, diretamente na palma da mão.
Algoritmos decidem o que vemos, reforçando crenças, emoções e polarizações. Não consumimos informação de forma neutra: somos conduzidos a conteúdos que confirmam nossos medos, desejos e indignações. Assim, a repetição cria verdades emocionais, mesmo quando carecem de profundidade ou veracidade.
O impacto psicológico é enorme. A validação por curtidas, o medo de exclusão e a necessidade de pertencimento tornam os indivíduos mais suscetíveis à manipulação. A opinião coletiva passa a ser moldada por tendências, hashtags e narrativas simplificadas, enquanto o pensamento crítico se enfraquece.
Nesse cenário, o controle não é imposto — é internalizado. As pessoas acreditam escolher livremente, quando muitas vezes apenas reagem a estímulos cuidadosamente calculados. Questionar, pausar e refletir tornam-se atos de resistência.
Em tempos de redes sociais, a verdadeira liberdade começa com consciência: saber que nem tudo o que viraliza é verdade, nem tudo o que emociona é real, e nem toda escolha é, de fato, nossa.



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