Paulo Marcello / Política da Hora
Ronaldo Lessa e Paulo Dantas devem renunciar ao mesmo tempo e Alagoas terá eleição indireta da ALE
Se confirmadas as renúncias, teremos a repetição de 2022, quando os deputados elegeram o governador entre eles
Foto: ReproduçãoAlagoas parece estar diante de um "feitiço do tempo" político. As movimentações de bastidores indicam que o estado se prepara para repetir, quase milimetricamente, o roteiro sucessório de 2022. O desenho atual aponta para as renúncias estratégicas do governador Paulo Dantas e de seu vice, Ronaldo Lessa, abrindo caminho para uma nova eleição indireta na Assembleia Legislativa (ALE).
A lógica é estritamente pragmática. Paulo Dantas, impedido pela legislação eleitoral de buscar um terceiro mandato consecutivo para o governo — uma vez que seu atual mandato é juridicamente considerado o segundo, após o período "tampão" iniciado em 2022 — deve mirar a Câmara Federal. Já Ronaldo Lessa, figura histórica da política alagoana, vislumbra o Senado, completando a chapa majoritária do grupo.
Para concorrerem em outubro de 2026, ambos precisam deixar os cargos seis meses antes (abril). O presidente da ALE, deputado Marcelo Victor, peça-chave dessa engrenagem, deve repetir o gesto de 2022.
Ao não assumir o Governo definitivamente para não se tornar inelegível em sua busca pela reeleição no Legislativo, Victor passa o cargo ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas que devolve a decisão ao plenário da Casa de Tavares Bastos.
Se o cenário se confirmar, Alagoas terá sua segunda eleição indireta em quatro anos. Em 2022, o processo foi marcado por intensas batalhas judiciais no STF e pela ascensão meteórica de Dantas. Em 2026, assim como em 2022, o estado será gerido por um nome escolhido por 27 parlamentares para um mandato de apenas nove meses, enquanto os titulares buscam novos espaços em Brasília.
Resta saber se o roteiro de 2022, que garantiu a vitória do grupo nas urnas, terá o mesmo sucesso agora que o eleitorado já conhece o "passo a passo" desta coreografia.
É importante reforçar que a jurisprudência atual do TSE e do STF consolida que o mandato-tampão seguido de uma eleição direta configura reeleição, o que veda a Paulo Dantas uma nova candidatura ao Governo em 2026.



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