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Arapiraca,28/01/2026

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Junio Almeida / Futebol Alagoano

Guarany x Cruzeiro-AL: uma final que define o futuro do futebol alagoano

O futebol alagoano vive um daqueles momentos que vão muito além do placar


Guarany x Cruzeiro-AL: uma final que define o futuro do futebol alagoano

O futebol alagoano vive um daqueles momentos que vão muito além do placar. Neste sábado (18), Guarany Alagoano e Cruzeiro de Arapiraca decidem a Série B Sub-23 de 2025, um confronto que carrega peso histórico, técnico e simbólico.

Mais do que o título, está em jogo o acesso à elite estadual — e talvez o início de uma nova fase para o futebol do interior.

Enquanto a bola vai rolar em Murici, a cidade vive um contraste curioso: o tradicional Murici Futebol Clube enfrenta uma grave crise financeira e corre risco de não disputar o Alagoano de 2026. Ao mesmo tempo, o Guarany, que surgiu recentemente e divide a mesma casa e estrutura, disputa o jogo mais importante de sua curta história.

O jogo decisivo: equilíbrio e contrastes dentro de campo

O Cruzeiro de Arapiraca chega à final com uma vantagem mínima, após vencer o jogo de ida por 2 a 1 em casa. O resultado dá à equipe a possibilidade de jogar pelo empate, enquanto o Guarany precisa vencer por dois gols de diferença para garantir o título direto — ou por um para levar a decisão aos pênaltis.

Tecnicamente, o duelo promete ser equilibrado. O Cruzeiro mostrou força coletiva e maturidade na partida de ida, aproveitando bem os momentos do jogo e controlando as ações com eficiência tática. Já o Guarany, mesmo derrotado, demonstrou poder de reação e um estilo mais ofensivo, sustentado por uma base jovem e comprometida.

A expectativa é por um confronto intenso, com duas propostas distintas:

* O Cruzeiro deve apostar na organização defensiva e transições rápidas,

* Enquanto o Guarany tende a buscar o controle da posse e pressão no campo ofensivo.

Será um jogo de detalhes, onde a estratégia pode pesar mais que o talento.

Murici e Guarany: o contraste de um mesmo endereço

Fora das quatro linhas, o contexto torna essa final ainda mais simbólica.

O Murici, dono do estádio José Gomes da Costa, atravessa um dos períodos mais delicados da sua história: dívidas, problemas estruturais e até um transfer ban que impede a inscrição de novos atletas. O risco de ficar fora da elite em 2026 é real.

Enquanto isso, o Guarany Alagoano, parceiro da mesma cidade, vive uma realidade oposta. Em ascensão, o clube se estruturou com base em jovens talentos e um projeto voltado à formação, tornando-se uma alternativa para o futebol local.

Na prática, o Guarany vem ocupando o espaço que o Murici deixou — mas com uma proposta renovada, adaptada ao cenário atual do esporte no interior.

Esse contraste escancara o novo mapa do futebol alagoano: clubes tradicionais tentando sobreviver e projetos emergentes buscando seu lugar.

O Cruzeiro de Arapiraca e o valor da reconstrução

Do outro lado, o Cruzeiro de Arapiraca é um caso de resistência.

O clube, que carrega história e representatividade no agreste, passou por momentos de instabilidade, mas encontrou no trabalho de base e na gestão local o caminho para se reerguer.

Chegar à final da Série B é um prêmio ao esforço de quem busca recolocar o Estrelado de Arapiraca no cenário estadual com dignidade e planejamento.

O time mostrou regularidade ao longo da competição e, se confirmar o título, terá uma conquista justa: resultado de um processo gradual de reconstrução.

Mais do que acesso, o Cruzeiro busca recuperar a confiança da sua torcida e reafirmar o valor de um projeto que aposta em trabalho silencioso, mas eficiente.

Um duelo que representa o futuro

Independentemente do campeão, a final entre Guarany e Cruzeiro é o retrato do novo ciclo do futebol alagoano.

De um lado, um clube jovem, que nasceu da necessidade de renovação. Do outro, uma agremiação tradicional do interior que tenta se reinventar após anos de instabilidade.

E ao fundo dessa disputa, o Murici, símbolo de um tempo em que o interior de Alagoas tinha estabilidade, agora serve como alerta: sem estrutura, gestão e apoio, tradição sozinha não sustenta ninguém.

Opinião: a final da virada para o futebol do interior

Essa decisão não é apenas sobre quem sobe ou desce de divisão.

É sobre quem consegue resistir e se adaptar ao novo tempo do futebol em Alagoas.

Guarany e Cruzeiro representam projetos diferentes, mas com algo em comum: o desejo de manter o interior vivo, competitivo e relevante.

Seja qual for o campeão, o importante é que essa final marque o início de uma nova mentalidade — mais profissional, mais estável e menos dependente do improviso que tem castigado tantas equipes.

Porque o futebol alagoano precisa, mais do que títulos, de continuidade e seriedade.

E é isso que estará em jogo neste sábado em Murici.



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