Caso Arsal expõe queda de braço entre JHC e Assembleia Legislativa de Alagoas
Aprovação de Otávio Lessa para comandar agência reguladora e posterior suspensão judicial da nomeação evidenciam tensão política na transição de governo; MDB terá 15 dos 27 deputados estaduais a partir de 2027.
Foto: Divulgação A disputa pelo comando da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Alagoas (Arsal) se transformou no primeiro grande capítulo de tensão política entre o governador eleito JHC e a atual direção da Assembleia Legislativa Estadual. O episódio revela que a transição para o novo governo, que começa em janeiro de 2027, deverá ser marcada por disputas de poder e articulações políticas.
O conflito ganhou força após a Assembleia Legislativa aprovar, no dia 28 de outubro, a indicação do conselheiro Otávio Lessa para a presidência da Arsal. Dos 17 deputados presentes à sessão, apenas o deputado Delegado Leonam (União Brasil) votou contra a indicação. O projeto foi incluído na pauta a pedido do deputado Alexandre Ayres (MDB).
A movimentação ocorreu em meio a mudanças na legislação estadual que estabeleceram mandato de cinco anos para a direção da agência reguladora. Na prática, a nomeação permitiria que Otávio Lessa permanecesse no comando da Arsal até 2031, atravessando integralmente o futuro mandato de JHC.
A nomeação foi oficializada em 29 de outubro, quando o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (MDB), exercia interinamente o Governo de Alagoas.
JHC reage e leva disputa à Justiça
A resposta do governador eleito veio por meio de uma ação popular questionando a legalidade da movimentação. JHC argumenta que a vaga estava aberta desde 2024 e que a suposta urgência para preenchê-la surgiu apenas depois do resultado das eleições, por meio de um projeto legislativo acelerado e de uma nomeação realizada em poucos dias.
Nesta segunda-feira (2), JHC anunciou nas redes sociais que a Justiça havia acolhido a ação popular e suspendido a nomeação de Otávio Lessa para a Arsal.
Na publicação, o governador eleito classificou a movimentação como desvio de finalidade e afirmou que pretende defender a moralidade pública durante a transição e o exercício do próximo governo.
A decisão judicial representa uma vitória política e jurídica inicial para JHC, mas também aprofunda o desgaste entre o futuro chefe do Executivo e o grupo político que atualmente possui forte influência sobre o Legislativo estadual.
MDB chega a 2027 com ampla maioria na Assembleia
O cenário ganha ainda mais relevância quando observado o resultado das eleições de 2026. O MDB saiu das urnas como a maior força política da Assembleia Legislativa de Alagoas, elegendo 15 dos 27 deputados estaduais que assumirão seus mandatos em 2027.
A legenda terá mais da metade das cadeiras da Casa, o equivalente a 55,6% da composição parlamentar. PP e PT elegeram três deputados cada, enquanto PL, PSDB e União Brasil conquistaram duas cadeiras cada.
A força do MDB representa um importante ativo político para o grupo liderado pelo atual presidente da Assembleia, Marcelo Victor, e coloca o partido em posição estratégica nas principais decisões do Legislativo.
Do outro lado, JHC, eleito governador no primeiro turno com 52,20% dos votos válidos, terá o desafio de construir uma base de sustentação parlamentar em uma Assembleia na qual seu partido, o PSDB, contará com apenas dois representantes.
Uma transição que começa sob tensão
O caso Arsal demonstra que a disputa pelo poder em Alagoas não terminou com a apuração das urnas. Pelo contrário: a formação do novo governo já começa cercada de movimentos institucionais, disputas jurídicas e demonstrações de força política.
A questão central é como será a relação entre o Palácio República dos Palmares e a Assembleia Legislativa a partir de janeiro de 2027.
Com o MDB controlando a maior bancada parlamentar e Marcelo Victor ocupando uma posição de influência na Casa, JHC terá pela frente o desafio de governar sem depender exclusivamente da força eleitoral conquistada nas urnas.
O episódio da Arsal pode ser apenas o primeiro teste dessa relação. A disputa deixa uma mensagem clara sobre o cenário político alagoano: o governador eleito conquistou o Executivo, mas o Legislativo continuará sendo um dos principais centros de poder do Estado.




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