Presidente interina da Venezuela promete aumento de salários
O salário mínimo na Venezuela é equivalente a 0,27 centavos de dólar por hora (R$ 1,38), e a inflação anual foi de mais de 600%
Gabinete presidencial da Venezuela A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, prometeu um “aumento responsável” dos salários, corroídos por anos de inflação e pelo colapso da economia ao longo da última década.
“Anuncio que, no dia 1º de maio, nós implementaremos um aumento e que esse aumento, tal como indicamos, será um aumento responsável”, declarou Rodríguez nesta quarta-feira (8/4) durante um discurso na televisão estatal, sem dar detalhes.
O salário mínimo na Venezuela é equivalente a 0,27 centavos de dólar por hora (R$ 1,38), e a inflação anual foi de mais de 600%.
Os salários de venezuelanos podem chegar a 150 dólares (R$ 766) por mês, se considerados bônus estatais, mas isso não cobre sequer uma fração dos gastos com alimentação de uma família, estimados em 645 dólares.
Rodríguez também anunciou a criação de uma comissão para o “diálogo laboral”, reagindo a protestos de trabalhadores que exigem aumentos salariais.
O pronunciamento foi feito na véspera de uma marcha convocada por sindicalistas até a sede do Executivo, no centro de Caracas, para exigir respostas às reivindicações.
Mudanças na economia venezuelana
Em seu pronunciamento, Rodríguez elencou uma série de medidas para dinamizar a economia do país, que incluem a revisão do modelo chavista, com a promessa de um diálogo social, aumentos salariais, reformas fiscais e alterações à legislação imobiliária.
A presidente interina não definiu ações concretas, mas falou em corrigir e não repetir “erros do passado”. O discurso, que durou quase meia hora, chegou a ser perturbado brevemente devido a uma queda de energia.
Rodríguez ordenou também a criação de uma comissão para a avaliação “estratégica” dos ativos do país — à exceção da indústria petrolífera —, formada por representantes do Estado, do empresariado e dos trabalhadores.
Caso se concretize “a recuperação dos ativos” da Venezuela “bloqueados no estrangeiro” no âmbito das sanções de que o país é alvo, esses recursos serão destinados “imediatamente” a garantir o aumento salarial e à “reabilitação das infraestruturas básicas”, como as de fornecimento de eletricidade e água, estradas, escolas e hospitais, disse a presidente interina.
Rodríguez assumiu o comando da Venezuela interinamente desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em 3 de janeiro.
Ela governa sob pressão do presidente americano Donald Trump, que afirmou estar “no comando” do país e da venda de petróleo venezuelano.




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