Júri do caso Davi da Silva é suspenso e deve ser concluído nesta terça em Maceió
Foto: Divulgação O julgamento dos quatro acusados pelo desaparecimento de Davi da Silva, ocorrido em 2014, teve continuidade nesta segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió, com a escuta de réus e testemunhas. Após um dia inteiro de oitivas, a sessão foi interrompida no início da noite e será retomada às 8h desta terça-feira (5), quando devem ocorrer os debates finais entre acusação e defesa.
A suspensão foi determinada pelo juiz responsável diante do horário avançado e da previsão de que os trabalhos se estenderiam pela madrugada. Ainda faltam etapas importantes do rito do Tribunal do Júri, como a réplica e a tréplica, antes da decisão dos jurados.
Respondem ao processo os ex-policiais militares Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos e Victor Rafael Martins da Silva, além da ex-militar Nayara Silva de Andrade. Eles são acusados de tortura, sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. As defesas mantêm a posição de que os réus são inocentes.
Durante a audiência, foram ouvidas testemunhas indicadas pelas duas partes, além dos próprios acusados. Entre os depoimentos, chamou atenção o da irmã da vítima, Ana Paula. Também foram apresentados vídeos com declarações colhidas anteriormente, incluindo a de Raniel Victor Oliveira da Silva, considerado peça-chave no caso e que morreu meses após o desaparecimento de Davi.
Na fase de testemunhas da defesa, um dos depoentes afirmou ter sido abordado pela mesma guarnição no dia do desaparecimento, mas disse não ter visto Davi ser colocado na viatura. O Ministério Público apontou inconsistências no relato, destacando divergências com declarações anteriores, nas quais o mesmo depoente relatava ter sofrido deboche por parte de uma policial — fato confirmado durante o julgamento.
Outro momento relevante foi o depoimento de José Taciano, primo de consideração da vítima, que solicitou falar sem a presença dos réus. Ele disse que passava pelo local no momento da abordagem, mas não presenciou toda a ação. Taciano descreveu os agentes com fardamento camuflado, semelhante ao da Força Nacional, argumento utilizado pela defesa para questionar a identificação da equipe policial. Em contraponto, o Ministério Público apresentou um depoimento anterior do próprio Taciano à Corregedoria da Polícia Militar, no qual ele reconhecia a viatura. Em plenário, ele confirmou a assinatura do documento, mas alegou ter sido intimidado à época.
A expectativa é de que o julgamento seja finalizado nesta terça-feira, após a retomada dos trabalhos e a conclusão das etapas finais do processo.
Relembre o caso
Davi da Silva desapareceu em agosto de 2014, após uma abordagem policial no bairro Benedito Bentes, na parte alta de Maceió. Testemunhas afirmam que ele portava uma pequena quantidade de maconha e teria sido colocado em uma viatura. Desde então, nunca mais foi visto.
Na ocasião, o jovem estava acompanhado de Raniel Victor, que posteriormente foi encontrado morto e era considerado uma das principais testemunhas do caso. Até hoje, o paradeiro de Davi permanece desconhecido.




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