Relato de sobrevivente fortalece acusação em júri sobre morte de Ana Clara no Sertão
Foto: Divulgação O depoimento do adolescente que sobreviveu ao ataque que terminou na morte de Ana Clara, de 12 anos, marcou o início da fase de oitivas no julgamento dos três acusados, realizado nesta quinta-feira (14), no município de Maravilha, no Sertão de Alagoas.
Diante do conselho de sentença, o jovem descreveu os momentos de tensão vividos na noite do crime. Segundo ele, o grupo conversava sentado em um muro quando foi surpreendido pela chegada repentina de um veículo, que parou bruscamente ao lado deles. Em seguida, um homem com o rosto coberto por uma camisa desceu do banco dianteiro e o atacou com um golpe de faca.
A vítima contou que conseguiu escapar após ser alertada por Ana Clara e, por isso, não presenciou o restante da ação criminosa. O relato foi considerado peça central para reforçar a versão apresentada pelo Ministério Público.
Durante a audiência, a acusação sustentou que o crime teve motivação passional. Conforme a tese apresentada, um dos réus teria interesse amoroso na adolescente, mas não era correspondido. Para o promotor responsável pelo caso, a suposta tentativa de simular um assalto foi uma estratégia para despistar a real motivação, já que nenhum pertence das vítimas foi levado.
Na sequência, policiais militares que atuaram na prisão dos suspeitos detalharam a operação. Um sargento do 7º Batalhão informou que o carro usado no crime foi localizado na residência da namorada do motorista suspeito, após informações repassadas pelo serviço reservado da corporação.
Segundo o militar, o casal indicou Lailton como autor dos golpes de faca. Já na casa dos pais do acusado, os policiais encontraram a bainha de uma faca que apresentaria compatibilidade com a arma utilizada no assassinato. Embora a família tenha alegado que o objeto era usado para caça, os elementos periciais e os relatos colhidos reforçaram a ligação com o crime.
A defesa, formada por cinco advogados, concentrou questionamentos na dinâmica da fuga e nos procedimentos adotados durante as prisões. Outro policial ouvido confirmou que os envolvidos deixaram o local juntos logo após o ataque.
O julgamento prossegue durante a tarde com o interrogatório dos réus e os debates entre acusação e defesa. A expectativa é de que a sentença seja anunciada ainda nesta noite.




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