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Arapiraca,06/06/2026

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Filhos dos estaduais: como Danilo e Igor Thiago saíram da várzea até a Copa do Mundo

Atacante e volante saíram, respectivamente, de terceira e segunda divisão do Paraná e Bahia até o Mundial de 2026

Por Sergio Santana / GE
Filhos dos estaduais: como Danilo e Igor Thiago saíram da várzea até a Copa do Mundo Igor Thiago e Danilo Santos, Seleção — Foto: Infoesporte

A Seleção é quase uma representação do próprio Brasil. Enquanto jogadores como Endrick e Vini Jr. foram praticamente vendidos para o Real Madrid antes mesmo de estrearem como profissionais, Igor Thiago e Danilo Santos deram os primeiros passos no futebol em divisões inferiores de campeonatos estaduais. E agora estão na Copa do Mundo.

A história da dupla é parecida: ambos foram dispensados de clubes grandes nas categorias de base ainda com pouca idade e viram em projetos sociais e times de pouca expressão a oportunidade de se reerguerem.

Igor Thiago foi reprovado em um teste no Athletico-PR e jogou a terceira divisão do Campeonato Paranaense pelo Verê FC aos 17 anos. Danilo Santos, com 16, se profissionalizou pelo PFC Cajazeiras na segunda divisão do Baiano depois de ser desligado pelo Bahia no sub-15.

Os pais de Danilo pensaram em desistir do futebol após o fracasso com o Bahia. Natural de Fazenda Couto III, a 30km de Salvador, o volante jogou alguns torneios de várzea até um antigo treinador acionar um empresário da região pelo Facebook para que ele assistisse ao jogador ao vivo. Depois de um dia, o jovem estava inserido no Projeto Manassés, que tem parceria com o PFC Cajazeiras.

— Danilo me encantou. Fora da curva. Na mesma hora, já perguntei quem eram os pais, precisava conversar porque tinha interesse em representar para caminhar com eles. Conversei com o Lourival (pai do Danilo), falei do Cajazeiras, que iria jogar a segunda divisão do Baiano. Falei que iria colocar o Danilo para se profissionalizar. Ele se assustou. Disse que o Danilo é acima da média, ele não era para Campeonato Baiano (de base). Se o Danilo jogasse Baiano sub-17, na época ele tinha 15 para 16 anos, seria um desperdício — explicou Igor Manassés, um dos donos do projeto.

Os pais confiaram no projeto, e Danilo voltou ao futebol. O primeiro contrato profissional do jogador, assinado aos 16 anos, em 2018, foi com o Cajazeiras.

O treinador era o Paulo Sales e teve dificuldade de dar essa oportunidade. Na 3ª rodada, estávamos ganhando de 4 a 0 do Pituaçu. Quando virou o segundo tempo, falamos que era a hora de colocar o Danilo. Paulo Sales travou. Danilo precisava jogar para dar projeção ao nosso projeto. Não era só fazer parte do elenco, era ter oportunidade. Pegamos o telefone, meu pai ligou para o Paulo no meio do jogo e disse que era para colocar o Danilo ou ele estava na rua — contou.

A várzea como parte do Brasil

Um campeonato em campos de terra na Bahia bastou para Danilo abrir os olhos de João Paulo Sampaio, coordenador das categorias de base do Palmeiras, que o contratou para o clube paulista em 2018. Dois anos depois, ele foi comprado de maneira oficial. Em 2026, é um dos melhores jogadores do Brasil pelo Botafogo e tem dois gols pela Seleção.

Igor Thiago vai na mesma sequência. O atacante saiu do Distrito Federal para fazer teste no Athletico, foi reprovado, mas ficou em Curitiba para atuar no Verê FC, um time de uma cidade com sete mil habitantes.

Eu, como treinador, tenho que ter a expertise de potencializar o jogador que tenho. O Igor Thiago talvez não fosse o melhor talento, mas era o cara com a maior vontade. Meu trabalho na formação era despertar isso nele. Do primeiro até o último mês que trabalhei com ele não faltou essa entrega. Vejo hoje o atleta brasileiro com essa fome. O Thiago nos amistosos é isso. Ele compensa na vontade, parte física. O atleta de base precisa ter isso. Tem que focar no que é necessário, ver as lacunas que faltam e potencializar. Temos um país muito rico, de muito talento, mas com oportunidades cada vez menores. O Thiago é um exemplo disso. Ele esteve pronto e hoje está na Seleção — afirmou Bruno Saymon.

O atacante, além do dia a dia com a bola, passou a assumir compromissos dentro de casa muito cedo. Seu pai morreu quando ele tinha 13 anos. Para ajudar a mãe, Diva, ele conciliou os treinos no Distrito Federal com estudos e trabalho para ajudar financeiramente em casa.

O Thiago chegou para nós sem nada. Ele chegou para nós apenas com a vontade e o sonho. Através do esforço dele, começou a ganhar o salário mínimo, depois a mandar um dinheirinho para casa e em um ano ele muda a vida dele. Ele sai do Verê para o Cruzeiro, uma potência. Isso mostra a importância dos Estaduais e das oportunidades. Ele agarrou a oportunidade. Tanto no início quanto agora, nos jogos da Seleção para chegar até a Copa do Mundo — completou.

Os projetos sociais são parte da essência do futebol brasileiro. Assim como a pluralidade de um país com dimensões continentais, o elenco de uma Copa do Mundo comporta jogadores de 40 milhões de euros desde que saíram da base e atletas que mataram um leão por dia em campos de terra até encontrarem o próprio holofote.

















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