Vacina contra HPV previne diversos tipos de câncer, mas ainda enfrenta resistência por desinformação
Foto: Divulgação A infecção pelo HPV está diretamente associada ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer, como o de colo do útero — um dos mais incidentes entre mulheres no Brasil — além de tumores de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe. O alerta é da oncologista clínica da Santa Casa de Maceió, Andrea Albuquerque.
Segundo a especialista, existem mais de 100 tipos do vírus, mas alguns apresentam maior risco de provocar alterações celulares que podem evoluir para câncer. Os tipos 16 e 18 estão entre os mais perigosos, enquanto os tipos 6 e 11 estão associados principalmente ao surgimento de verrugas genitais. Todos esses subtipos estão contemplados na vacina oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Andrea explica que o HPV pode permanecer no organismo por longos períodos sem apresentar sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce. Em muitos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus, mas quando isso não ocorre, ele pode permanecer em estado latente e causar alterações ao longo do tempo.
Entre os sinais de alerta estão sangramentos, verrugas, feridas que não cicatrizam, manchas e alterações em regiões como colo do útero, vulva, vagina, ânus e pênis. Mesmo assim, a infecção muitas vezes evolui de forma silenciosa, reforçando a importância da prevenção.
A principal forma de proteção é a vacinação, disponível gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de adolescentes de até 19 anos que ainda não foram imunizados. Pessoas imunocomprometidas também podem ter indicação para receber a dose.
A oncologista ressalta ainda que não há qualquer evidência científica de que a vacina estimule o início precoce da vida sexual, um dos principais mitos que ainda afastam parte da população da imunização. Ela destaca que a vacina atua na prevenção da infecção e na redução do risco de câncer no futuro.
Além da vacinação, especialistas reforçam que exames preventivos continuam essenciais para o rastreamento e tratamento precoce de lesões causadas pelo vírus.
Dados do governo federal apontam que, entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar cerca de 19 mil novos casos de câncer do colo do útero, reforçando a importância da prevenção e do acesso à informação.




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