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Arapiraca,16/07/2026

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Crônica | O silêncio depois do apito: o Brasil encara o maior jejum de sua história

Redação
Crônica | O silêncio depois do apito: o Brasil encara o maior jejum de sua história Foto do Instagram da seleção do Brasil



Há derrotas que doem por um gol. Outras, pela forma como acontecem. E existem aquelas que machucam porque carregam a sensação de que uma era chegou ao fim.


A eliminação do Brasil diante da Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, pertence a essa última categoria.


O roteiro parecia escrito para um final diferente. O futebol, tantas vezes generoso com a camisa amarela, resolveu cobrar a conta. Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti que poderia mudar o destino da partida. No segundo tempo, ainda com o placar em zero a zero, Endrick perdeu um daqueles gols que parecem impossíveis de errar. No futebol, oportunidades desperdiçadas costumam voltar em forma de castigo.


E o castigo tinha nome.


Erling Haaland.


Bastaram duas oportunidades para o atacante norueguês mostrar por que é um dos maiores centroavantes do planeta. Dois gols, duas finalizações precisas e o sonho brasileiro transformou-se em despedida.


Neymar deixou o banco de reservas para entrar em campo. Talvez pela última vez em uma Copa do Mundo. Não conseguiu mudar a história, mesmo marcando de pênalti no final do jogo. Restou apenas a imagem de um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro assistindo, impotente, ao fim de mais um ciclo.


Se realmente esta tiver sido sua despedida dos Mundiais, Neymar encerra sua trajetória sem levantar a taça que tantas vezes perseguiu. Carregará críticas, números extraordinários e o peso de ter defendido uma geração que nunca deixou de acreditar, mesmo quando a conquista parecia escapar pelos dedos.


Para a Seleção, o golpe vai além da eliminação. O Brasil agora caminha para o maior jejum de títulos mundiais de sua história. Desde o pentacampeonato conquistado em 2002, já serão pelo menos 28 anos sem levantar a Copa do Mundo até a próxima edição, superando o intervalo de 24 anos entre os títulos de 1970 e 1994.


É um dado que pesa. Principalmente para um país que aprendeu a medir sua felicidade em Copas do Mundo.


Talvez seja o momento de compreender que tradição não vence partidas sozinha. A camisa continua sendo a mais respeitada do planeta, mas ela já não intimida como antes. O futebol mudou, o mundo evoluiu e o Brasil parece seguir procurando respostas que ainda não encontrou.


No fim, sobraram o silêncio das arquibancadas, as lágrimas dos torcedores e a certeza de que, mais uma vez, o sonho do hexacampeonato precisará esperar.


Porque, às vezes, a Copa do Mundo não termina apenas para uma seleção.


Ela também encerra uma geração.




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