Paulo Marcello / Política da Hora
Sem o PL, JHC vira uma aposta difícil, até para ele mesmo
Prefeito da capital vira o tabuleiro, mas abandona o bolsonarismo
Foto: ReproduçãoO presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, enviou um ofício neste fim de semana ao prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, extinguindo a comissão executiva do partido em Alagoas. No texto, Valdemar ameaça tomar as "medidas judiciais cabíveis e responsabilização cível, eleitoral e criminal" caso JHC realize qualquer ato partidário a partir de então.
O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) assumiu provisoriamente o comando do diretório estadual, tendo como vice-presidente o vereador de Maceió Leonardo Dias. No anúncio, o presidente interino declarou que, se depender da executiva, o eleitor alagoano irá votar em candidatos do PL "de cima a baixo", sinalizando uma chapa pura para governo e Senado.
JHC desceu do muro
Após ser reeleito com uma votação acachapante de mais de 83% em 2024, JHC consolidou-se como a principal força de oposição ao grupo dos Calheiros. No entanto, o abrigo no PL de Jair Bolsonaro, que antes parecia um trunfo, tornou-se um estorvo tático.
Ocorre que o controle que Arthur Lira (PP) buscava exercer sobre o PL em Alagoas gerou um sufocamento político para o prefeito de Maceió. JHC percebeu que, para ser o protagonista de sua própria candidatura ao governo, precisava de uma sigla onde detivesse as rédeas, e não onde fosse um inquilino de luxo.
Para temtar vencer uma eleição estadual em Alagoas, o radicalismo raramente é o caminho. Ao buscar o PSDB (ou flertar com o Republicanos e PSD), JHC tenta se descolar de rótulos ideológicos rígidos e atrair uma base mais ampla, mirando o eleitorado moderado que hoje gira em torno do governo de Paulo Dantas e da influência de Renan Filho.
Mas... não se pode analisar a situação de JHC sem olhar para os bastidores de Brasília. A articulação para a nomeação de sua tia, a procuradora Marluce Caldas, para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ), introduziu uma variável complexa.
Rumores de que um recuo na candidatura ao governo seria a moeda de troca para essa nomeação foram ventilados, mas o movimento de saída do PL sugere o contrário: JHC parece disposto a dobrar a aposta e manter-se no páreo para 2026, possivelmente abrindo mão da prefeitura até 4 de abril para cumprir o prazo de desincompatibilização.
Com JHC fora do PL e possivelmente no PSDB, o cenário para o governo de Alagoas e para o Senado torna-se um dos mais congestionados do país.
O prefeito joga agora um jogo de alto risco. Ao abandonar o PL, ele perde o tempo de TV e os recursos de uma das maiores legendas do país, mas ganha a liberdade de montar um arco de alianças que pode isolar tanto Lira quanto os Calheiros.
Em resumo:
JHC deixou de ser apenas o "prefeito recordista" para se tornar o elemento imprevisível do tabuleiro alagoano.
Se a mudança de partido for o prelúdio de uma renúncia à prefeitura em abril, Alagoas terá em 2026 a eleição mais disputada de sua história recente. Caso contrário, ele corre o risco de se tornar um "general sem exército" no meio do mandato.



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