Junio Almeida / Futebol Alagoano
CRB tropeça no Rei Pelé e vê o G-4 se afastar: o preço das falhas que insistem em voltar
Um time entre o protagonismo e o desequilíbrio
O empate por 2 a 2 com a Ferroviária, no Estádio Rei Pelé, escancarou mais uma vez as contradições do CRB na Série B de 2025. Um time que consegue abrir o placar, empolgar a torcida, criar chances suficientes para vencer — mas que, ao mesmo tempo, não sustenta o próprio desempenho quando o jogo exige maturidade e concentração. O resultado, que parecia controlado, acabou se transformando em mais uma frustração. E agora, com seis rodadas para o fim, o Galo vê o G-4 a cinco pontos de distância.
O placar em Maceió foi simbólico: o CRB mostrou volume ofensivo, teve gols anulados e produziu boas jogadas, mas a vulnerabilidade defensiva voltou a cobrar caro. Foram espaços concedidos, erros de cobertura e falta de leitura nas transições — um roteiro que o torcedor já conhece e que se repete em momentos decisivos.
Um time entre o protagonismo e o desequilíbrio
O técnico Eduardo Barroca, sempre coerente nas análises, reconheceu após a partida que o time “concedeu mais chances do que deveria”. A frase, embora verdadeira, soa repetida. O CRB já havia demonstrado esse mesmo comportamento em outros jogos recentes: ofensivamente criativo, mas incapaz de controlar o jogo quando precisa proteger o resultado.
Futebol, afinal, não se resume a atacar bem. Equilíbrio é o que separa equipes que brigam até o fim das que ficam pelo caminho. E o CRB ainda não encontrou esse ponto de estabilidade entre a posse de bola e a consistência sem ela.
Os números e o que eles contam
Com 47 pontos e na 9ª colocação, o Galo ainda tem margem matemática para sonhar. Mas, no campo, o desempenho recente liga o alerta. São quatro vitórias nos últimos oito jogos, e a defesa voltou a ser vazada com facilidade — um contraste com o bom rendimento do segundo turno, quando o time figurou entre os quatro melhores.
A missão agora é dura: vencer pelo menos quatro dos seis jogos restantes, sendo três no Rei Pelé. Ou seja, o caminho passa por transformar o mando de campo em vantagem real, o que não aconteceu contra a Ferroviária.
O que falta ao CRB: ajustes, atitude e leitura
Mais do que esquema tático, o CRB precisa de postura. Falta senso de urgência, de “fome” por resultado. A equipe entra bem nos jogos, mas perde intensidade à medida que o relógio avança. É nesse ponto que a mentalidade pesa mais do que a técnica.
Barroca tem ideias interessantes, mas precisa ajustar o sistema defensivo: as linhas de marcação recuam demais quando o time tem vantagem, e os volantes acabam deixando o meio exposto. Além disso, o elenco precisa de mais solidez emocional — os gols anulados e decisões de arbitragem não podem desestabilizar a equipe a cada rodada.
O momento pede mais do que discurso
O CRB de 2025 é um time que desperta esperança, mas que ainda não convence como candidato ao acesso. A torcida faz sua parte, empurra, acredita. Falta que o time corresponda dentro de campo com a mesma intensidade que vem das arquibancadas.
Há tempo, mas não há mais margem para erros. Cada jogo agora é uma final — e finais se vencem com entrega, foco e frieza. O acesso não será conquistado apenas na prancheta: será na atitude.
Se o CRB quiser realmente voltar a sonhar com a elite, precisa entender que o futebol não perdoa quem repete os mesmos erros. E essa é a grande lição que o empate com a Ferroviária deixa: quem não aprende com o próprio tropeço, acaba ficando pelo caminho.



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