Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro e do cunhado e determina transferência para presídio estadual em SP
Os dois são alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro — Foto: Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual após a audiência de custódia realizada na capital paulista. O cunhado dele, Fabiano Zettel, teve a mesma destinação definida.
Ambos serão levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Com a decisão, Vorcaro e Zettel não retornaram à Superintendência Regional da Polícia Federal, onde estavam após serem presos na manhã desta quarta em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.
Eles chegaram à Justiça Federal para a audiência de custódia por uma portaria lateral, em viatura descaracterizada. Ao todo, três carros participaram do deslocamento, e os investigados deixaram o prédio em um veículo não ostensivo.
A defesa dele disse que Vorcaro "sempre esteve à disposição das autoridades" e "jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça". A defesa negou "categoricamente as alegações atribuídas" a ele e disse confiar "que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta". Reiterou ainda a "sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições". (Leia aqui.)
Negou ameaças
Em nota, a assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro disse que o empresário informou, no momento de sua prisão, "que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto."
"Afirmou textualmente que “sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas. Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência.”
Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgadas."
O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou na Superintendência da PF. A defesa disse que "em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades".
As prisões aconteceram como parte da terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a PF, tem o objetivo de investigar a "possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa".
A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado.
🔎 Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para a Europa em um avião particular que sairia do aeroporto de Guarulhos, na Grande SP. Para a PF, não havia dúvidas de que ele iria fugir do país.
Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista.
Além de Vorcaro e Zettel, foram alvo da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
CPI
Vorcaro era aguardado para depor nesta quarta à CPI do Crime Organizado, em Brasília. No entanto, o dono do Banco Master já havia sinalizado que iria comparecer apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O ministro André Mendonça tinha decidido na terça-feira (3) que a ida dele à CPI seria facultativa.




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