Colegas humilham aluno com síndrome e o forçam a comer 7 fatias de bolo
Caso ocorreu em Fortaleza e, segundo a mãe da vítima, o adolescente não quer mais voltar à escola após o episódio de agressão
Reprodução redes sociais Um adolescente de 16 anos, com uma síndrome rara, foi obrigado por colegas a comer pelo menos sete fatias de bolo em uma escola de Fortaleza, no Ceará. A vítima tem uma condição que afeta o desenvolvimento mental e causa fome crônica e obesidade.
Os alunos filmaram e divulgaram nas redes sociais o vídeo do adolescente sendo humilhado e forçado a comer o bolo. O episódio de agressão ocorreu dentro de um banheiro em uma escola estadual de ensino médio, na última quinta-feira (26/2)
Os familiares da vítima souberam do caso após a repercussão nas redes sociais. Nas imagens é possível ver que vários alunos participam do episódio de bullying e atacam o menino, que não revida.
Segundo relato da mãe da vítima publicado nas redes sociais, o adolescente, que não quer mais voltar à escola, tem Síndrome de Prader-Willi, distúrbio genético que afeta uma em cada 15 mil pessoas. A condição acontece devido a uma falha de genes no cromossomo 15 e traz uma série de características específicas.
A principal delas é que o cérebro não consegue receber a mensagem de saciedade quando o corpo é alimentado. A consequência é a obesidade mórbida que, em muitos pacientes, pode ser fatal.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Educação do estado e aguarda resposta. Bullying é crime no Brasil desde janeiro de 2024. A Lei nº 14.811/2024 alterou o Código Penal, tipificando a intimidação sistemática (bullying) e o cyberbullying. As penas incluem multa e, no caso do cyberbullying, reclusão de 2 a 4 anos.
A síndrome
Quem sofre da síndrome precisa ser supervisionado o tempo todo e ter uma dieta controlada. A fome insaciável começa a dar sinais aos seis anos de idade. Os adolescentes também podem apresentar mãos e pés pequenos, baixa estatura e dificuldades de aprendizado.
Embora seja considerada rara, a Síndrome de Prader-Willi é a causa genética mais comum de obesidade mórbida infantil identificada até hoje.
De acordo com a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, para saber se alguém sofre do distúrbio genético é preciso estar atento aos seguintes sinais:
Movimentos fetais diminuídos, bebê letárgico, com choro fraco;
Dificuldade de sucção e pouco ganho de peso nos primeiros meses de vida;
Ganho de peso rápido ou excessivo entre 1 e 6 anos de idade;
Traços faciais distintivos: olhos amendoados, boca pequena, com lábio superior fino e cantos curvados para baixo;
Hipogonadismo – hipoplasia genital, incluindo testículos que não desceram e pênis pequeno; puberdade tardia, com menstruação escassa ou inexistente;
Atraso no desenvolvimento global antes dos 6 anos de idade e deficiência cognitiva de leve a moderada ou problemas de aprendizagem em crianças mais velhas;
Hiperfagia; interesse e/ou obsessão por comida;
Possíveis acessos de raiva, comportamento obsessivo-compulsivo, opositor, rígido, possessivo, teimoso, mas também amável e afetuoso;
Distúrbios do sono;
Estatura baixa;
Hipopigmentação – pele e cabelo mais claros que os pais;
Mãos e/ou pés pequenos.




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