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Arapiraca,25/08/2026

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Parentesco com Leila Pereira gera debate sobre possível compra da SAF do Vasco

Marcos Lamacchia é enteado da presidente do Palmeiras, e relação familiar pode provocar diferentes interpretações sobre eventual conflito de interesses

Fonte: GE
Parentesco com Leila Pereira gera debate sobre possível compra da SAF do Vasco Foto: Divulgação

A possível venda de 90% da SAF do Vasco para o empresário Marcos Lamacchia ganhou um novo capítulo fora dos gramados. A relação familiar entre o potencial investidor vascaíno e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, levantou questionamentos sobre um eventual conflito de interesses envolvendo dois clubes que disputam a mesma divisão do futebol brasileiro.


Marcos Lamacchia é filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa e marido de Leila Pereira. O empresário, portanto, é enteado da dirigente palmeirense. José Roberto também aparece como avalista da proposta apresentada para a aquisição da SAF cruz-maltina.


Em entrevista ao programa Redação sportv, o advogado especialista em SAF Pedro Teixeira explicou que o Código Civil considera o enteado um parente por afinidade, e não um parente consanguíneo. O problema é que tanto a Lei Geral do Esporte quanto as regras da CBF não tratariam de maneira expressa desse tipo de parentesco.


De acordo com o especialista, existem duas possíveis interpretações. Uma delas considera apenas o texto literal da norma e entende que a restrição não alcançaria os parentes por afinidade. A segunda avalia o objetivo da regra, criada para preservar a integridade das competições e evitar que uma mesma família exerça influência significativa sobre dois clubes concorrentes.


A discussão ganhou ainda mais força depois que o Flamengo acionou a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) e pediu a análise da operação. O clube carioca argumenta que as regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira impedem que uma pessoa, direta ou indiretamente, controle ou exerça influência relevante sobre mais de uma equipe.


O Vasco, por sua vez, defende que a negociação é legítima e não viola as normas do futebol brasileiro. Até o momento, não existe uma decisão definitiva dos órgãos responsáveis sobre a existência de conflito de interesses.


Blind trust pode ser alternativa


Mesmo que a ANRESF reconheça algum tipo de conflito, a compra da SAF não seria necessariamente proibida. O regulamento permite a criação de um blind trust, modelo no qual os ativos são administrados por um fundo independente, sem interferência direta do proprietário.


No caso do Vasco, essa estrutura poderia funcionar temporariamente, até o término do mandato de Leila Pereira na presidência do Palmeiras, previsto para dezembro de 2027.


Negociação depende da Justiça


Vasco e Marcos Lamacchia ainda aguardam a autorização da juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, para a abertura do processo competitivo de venda da SAF.


A proposta da Almirante Participações, empresa de Lamacchia, deverá servir como valor mínimo para a disputa. Outros interessados poderão apresentar ofertas e, caso apareça uma proposta superior, o empresário terá o direito de igualá-la.


Depois da definição do vencedor, a operação ainda precisará cumprir as etapas internas previstas no estatuto do Vasco, incluindo a apreciação do Conselho Deliberativo e da Assembleia Geral.


Com isso, o futuro da SAF vascaína permanece cercado por questões jurídicas e regulatórias. O entendimento sobre o parentesco entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira poderá ser decisivo para o avanço de uma negociação considerada estratégica para a recuperação financeira do clube de São Januário.


Com informações do ge.




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