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Arapiraca,28/08/2026

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“Dublês” faziam provas no lugar de candidatos em esquema milionário de fraude em concursos

Operação Fora de Forma cumpre mandados em Alagoas e outros três estados e investiga participação de servidores públicos

Redação
“Dublês” faziam provas no lugar de candidatos em esquema milionário de fraude em concursos Foto: Divulgação




Um esquema montado para fraudar concursos públicos e burlar processos de seleção entrou na mira da Polícia Civil. A Operação Fora de Forma foi deflagrada nesta quarta-feira (26) e atingiu Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará. A investigação aponta que candidatos recorriam a pessoas fisicamente semelhantes para assumir suas identidades e realizar as provas em seus lugares.


O grupo investigado teria transformado a fraude em uma espécie de serviço clandestino. De um lado estavam os candidatos interessados em garantir a aprovação; do outro, pessoas contratadas para atuar como “dublês” durante os exames. A estratégia permitia que o verdadeiro candidato não precisasse sequer estar presente no local da prova.


A investigação, iniciada em setembro de 2025, também identificou outra frente de atuação. Além da substituição de candidatos, os suspeitos são investigados por obter e repassar antecipadamente conteúdos de provas e gabaritos, criando condições para que concorrentes tivessem vantagem ilegal sobre os demais participantes dos concursos.


Entre os casos descobertos está o de um soldado da Polícia Militar de Pernambuco, afastado cautelarmente do cargo. Segundo a investigação, ele teria sido aprovado após outra pessoa realizar a prova do concurso da corporação em seu lugar, em janeiro de 2024. O policial posteriormente passou a trabalhar em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife.


Até agora, dez pessoas foram identificadas como suspeitas de participação direta no esquema de substituição. Cinco seriam candidatos que contrataram os serviços e cinco teriam atuado como substitutos. Outros dois investigados são apontados como envolvidos no fornecimento ilegal de gabaritos.


A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão nos quatro estados. O material recolhido será analisado pela polícia para descobrir novos integrantes, identificar outros concursos possivelmente fraudados e dimensionar a extensão da atuação do grupo.


A investigação também levanta uma suspeita ainda mais grave: a possível participação de servidores públicos e de pessoas vinculadas a órgãos de segurança e ao Ministério Público. A Polícia Civil trabalha para esclarecer se esses agentes teriam facilitado o acesso às provas, gabaritos ou outras informações utilizadas pelo esquema.


Com a análise das provas apreendidas, os investigadores deverão tentar reconstruir toda a estrutura utilizada para manipular os concursos e identificar quem financiava, executava e facilitava as fraudes. O caso segue sob investigação.






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