Licenças de técnico por R$ 100 mil: investigação do UOL aponta documentos falsos vendidos a craques
Reportagem de Joanna de Assis reúne áudios e relatos sobre negociações atribuídas a Alejandro Mancuso; ATFA contesta certificados e ex-volante nega venda
Alejandro Mancuso, ex volante com passagens por Flamengo e Palmeiras. Uma investigação publicada nesta quarta-feira (7) pela jornalista Joanna de Assis, do UOL, revelou denúncias de negociação de licenças falsas de treinador envolvendo nomes conhecidos do futebol. Segundo a apuração, Alejandro Mancuso, ex-volante de Flamengo e Palmeiras, oferecia quatro certificados atribuídos à Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA) por cerca de R$ 100 mil, com entrega pelo correio em até dez dias.
A promessa era obter as licenças C, B, A e PRO sem cumprir a formação regular. O UOL reuniu áudios e mensagens nos quais Mancuso oferecia um “trâmite urgente” e alegava respaldo de dirigentes. A ATFA afirmou à reportagem que os documentos eram falsos e que ele não tinha autorização para representá-la.
O que disseram os jogadores
Thiago Silva informou que pagou por cursos que não foram ministrados como prometido e recebeu certificados que nunca utilizou. Roberto Carlos também confirmou a negociação e declarou não ter usado os documentos.
Felipe Melo relatou que desconfiou após tentar agendar atividades presenciais, retirou referências às licenças das redes sociais e conseguiu recuperar o dinheiro. Petkovic confirmou o contato com Mancuso e disse não ter concluído a etapa presencial. Lugano afirmou ter feito uma parte teórica pela internet, mas não a presencial.
Os relatos apresentam situações diferentes e não permitem atribuir a todos os compradores conhecimento prévio sobre a falsidade dos certificados.
Mancuso nega; ATFA relata arquivamento judicial
Procurado pelo UOL, Mancuso negou vender licenças ou receber pagamentos dos atletas. Disse que apenas orientava interessados a procurar a entidade argentina.
Em resposta à reportagem, a ATFA também informou que uma investigação sobre suposta emissão irregular de documentos foi arquivada pela Justiça Federal argentina em dezembro de 2025, por inexistência de crime. Segundo a associação, diligências em sua sede não encontraram documentação que comprovasse emissão irregular.
A denúncia publicada nesta quarta-feira deve, portanto, ser distinguida de uma condenação judicial.




COMENTÁRIOS