Eleições 2026: quais mandatos estarão em jogo na disputa pelo Senado, que ganhou importância neste ano
54 dos 81 senadores estão em fim de mandato. Renovação da Casa deve influenciar o próximo governo e até mesmo a composição do STF.
Sessão do Senado na noite de 17/12/25. — Foto: Jonas Pereira/Agência Senado A eleição do Senado em 2026 colocará em jogo 54 das 81 cadeiras, ou dois terços do total. Cada um dos 26 estados, além do DF, vai eleger dois parlamentares para um mandato de oito anos.
A renovação é grande e deve mudar a cara do Senado a partir de 2027. Por isso, governo e oposição tratam essa disputa como prioridade.
Além de propor e votar propostas legislativas, como a Câmara, cabe ao Senado:
processar e julgar o presidente da República por crimes de responsabilidade;
processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade;
aprovar indicações de novos ministros do STJ e do STF, o procurador-geral da República, o presidente e diretores do Banco Central, embaixadores e outras autoridades.
O novo Senado poderá influenciar também a renovação do STF. Está pendente ainda a indicação de Jorge Messias, escolhido por Lula para substituir Luís Roberto Barroso.
E mais três ministros vão se aposentar durante o próximo mandato presidencial
Quais são as vagas em jogo?
O PL, partido de Jair Bolsonaro, tem sete de 15 senadores em fim de mandato;
O PSD vai colocar 11 de suas 14 cadeiras em disputa;
O MDB terá nove de suas dez cadeiras em jogo;
O PT tem nove senadores hoje, dos quais seis estão encerrando o mandato.
Alguns partidos vão para a eleição com todos os seus senadores em fim de mandato. Nesses casos, o desafio será manter representação na Casa.
Estão nessa situação o Podemos (4 senadores), o PSDB (três) e o Novo (um).
Os senadores em fim de mandato podem disputar a reeleição.
Senadores em fim de mandato
Alessandro Vieira – MDB – Sergipe
Angelo Coronel – PSD – Bahia
Carlos Portinho – PL – Rio de Janeiro
Carlos Viana – PODEMOS – Minas Gerais
Chico Rodrigues – PSB – Roraima
Cid Gomes – PSB – Ceará
Ciro Nogueira – PP – Piauí
Confúcio Moura – MDB – Rondônia
Daniella Ribeiro – PP – Paraíba
Dra. Eudócia – PL – Alagoas
Eduardo Braga – MDB – Amazonas
Eduardo Girão – NOVO – Ceará
Eduardo Gomes – PL – Tocantins
Eliziane Gama – PSD – Maranhão
Esperidião Amin – PP – Santa Catarina
Fabiano Contarato – PT – Espírito Santo
Fernando Dueire – MDB – Pernambuco
Flávio Arns – PSB – Paraná
Flávio Bolsonaro – PL – Rio de Janeiro
Giordano – S/Partido – São Paulo
Humberto Costa – PT – Pernambuco
Irajá – PSD – Tocantins
Ivete da Silveira – MDB – Santa Catarina
Izalci Lucas – PL – Distrito Federal
Jader Barbalho – MDB – Pará
Jaques Wagner – PT – Bahia
Jayme Campos – UNIÃO – Mato Grosso
Jorge Kajuru – PSB – Goiás
José Lacerda – PSD – Mato Grosso
Leila Barros – PDT – Distrito Federal
Lucas Barreto – PSD – Amapá
Luis Carlos Heinze – PP – Rio Grande do Sul
Mara Gabrilli – PSD – São Paulo
Marcelo Castro – MDB – Piauí
Marcio Bittar – PL – Acre
Marcos do Val – PODEMOS – Espírito Santo
Marcos Rogério – PL – Rondônia
Mecias de Jesus – REPUBLICANOS – Roraima
Nelsinho Trad – PSD – Mato Grosso do Sul
Oriovisto Guimarães – PSDB – Paraná
Paulo Paim – PT – Rio Grande do Sul
Plínio Valério – PSDB – Amazonas
Randolfe Rodrigues – PT – Amapá
Renan Calheiros – MDB – Alagoas
Rodrigo Pacheco – PSD – Minas Gerais
Rogério Carvalho – PT – Sergipe
Sérgio Petecão – PSD – Acre
Soraya Thronicke – PODEMOS – Mato Grosso do Sul
Styvenson Valentim – PSDB – Rio Grande do Norte
Vanderlan Cardoso – PSD – Goiás
Veneziano Vital do Rêgo – MDB – Paraíba
Weverton – PDT – Maranhão
Zenaide Maia – PSD – Rio Grande do Norte
Zequinha Marinho – PODEMOS – Pará
Senadores com mandato até 2030
Republicanos e União Brasil manterão quatro senadores cada um. O PT tem três senadores ainda em meio de mandato, bem como PP e PSD.
O PL é o partido com mais senadores com mandato até 2030: são oito. Isso é resultado da boa eleição do partido em 2022, quando dobrou sua bancada.
Veja a lista abaixo:
Alan Rick – REPUBLICANOS – Acre
Ana Paula Lobato – PDT – Maranhão
Astronauta Marcos Pontes – PL – São Paulo
Augusta Brito – PT – Ceará
Beto Faro – PT – Pará
Bruno Bonetti – PL – Rio de Janeiro
Cleitinho – REPUBLICANOS – Minas Gerais
Damares Alves – REPUBLICANOS – Distrito Federal
Davi Alcolumbre – UNIÃO – Amapá
Dr. Hiran – PP – Roraima
Efraim Filho – UNIÃO – Paraíba
Fernando Farias – MDB – Alagoas
Hamilton Mourão – REPUBLICANOS – Rio Grande do Sul
Jaime Bagattoli – PL – Rondônia
Jorge Seif – PL – Santa Catarina
Jussara Lima – PSD – Piauí
Laércio Oliveira – PP – Sergipe
Magno Malta – PL – Espírito Santo
Omar Aziz – PSD – Amazonas
Otto Alencar – PSD – Bahia
Professora Dorinha Seabra – UNIÃO – Tocantins
Rogério Marinho – PL – Rio Grande do Norte
Sergio Moro – UNIÃO – Paraná
Teresa Leitão – PT – Pernambuco
Tereza Cristina – PP – Mato Grosso do Sul
Wellington Fagundes – PL – Mato Grosso
Wilder Morais – PL – Goiás
Pressão sobre o STF e governabilidade
Com tantas vagas em disputa, governo e oposição buscarão ampliar suas bancadas para ter um maior controle das votações na Casa.
Nesta semana, a petista Gleisi Hoffmann anunciou que deixará de ser ministra para disputar o Senado pelo Paraná. Outros ministros podem fazer o mesmo nas próximas semanas, como Marina Silva, Simone Tebet e Rui Costa.
Na oposição, o vereador Carlos Bolsonaro transferiu o título de eleitor do Rio de Janeiro para Santa Catarina para se candidatar ao Senado . Michelle Bolsonaro pode sair candidata no DF.
Antes de ser condenado e preso por tentar um golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro falou publicamente diversas vezes sobre priorizar a eleição para o Senado. "Se vocês me derem 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil. Nem preciso ser presidente. Faremos isso por vocês", afirmou ele durante um ato na Avenida Paulista, em junho de 2025.
Lula também vem alertando o PT e seus aliados sobre a importância dessa disputa. "Se esses caras elegerem a maioria dos senadores, vão fazer uma muvuca nesse país", disse ele num evento partidário do PSB no ano passado, referindo-se aos aliados de Bolsonaro.
Além de projetos de lei e propostas para mudar a Constituição, discussões sobre pedidos de impeachment de ministros do STF vão e voltam no Senado.
Levantamento publicado pelo g1 em dezembro mostrou que 81 pedidos foram protocolados desde 2021 e aguardam análise do presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alexandre de Moraes, relator do processo em que Bolsonaro foi condenado por golpe de Estado, é o alvo em 43 casos. Gilmar Mendes é citado em 10.
Carlos Ranulfo, cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que o Senado tem sido de "mais difícil manejo" para os aliados de Bolsonaro.
Para ele, o objetivo do grupo político do ex-presidente é ampliar a bancada para criar um "clima hostil" ao Judiciário.
"A melhor maneira de se aumentar a pressão sobre o STF é criando um clima hostil no Senado. O plano original do bolsonarismo é crescer [na Casa]", afirma.
Eduardo Grin, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alerta para os impactos na governabilidade.
Ele afirma que o Senado foi uma "casa moderadora" no terceiro mandato de Lula, freando pautas de oposição aprovadas pela Câmara.
"Sendo o Senado também dominado pela oposição, faria um jogo político muito pesado em relação ao governo Lula e ao STF", diz Grin.
Para Grin, a estratégia da oposição visa inviabilizar um eventual quarto mandato de Lula, caso o presidente saia vencedor, apostando no desgaste do governo para chegar ao Planalto em 2030.
"Essa eleição não é só para saber quem vai ser o presidente, mas para saber como ficará a composição das casas legislativas diante de um jogo de poderes cada vez mais complexo."




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