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Arapiraca,28/04/2026

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Emirados Árabes anunciam saída da Opep após mais de cinco décadas

O GLOBO
Emirados Árabes anunciam saída da Opep após mais de cinco décadas Navio carregado com petróleo nos Emirados Árabes Unidos: país anuncia saída da Opep — Foto: Karim SAHIB / AFP

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e também da Opep+, aliança que reúne membros do cartel do petróleo e aliados como a Rússia, em um movimento com potencial para mexer no equilíbrio do mercado global de energia. A decisão entra em vigor no dia 1º de maio.

A ruptura representa um revés para a Opep e sua estrutura ampliada, especialmente para a Arábia Saudita, principal liderança do grupo e historicamente responsável por coordenar estratégias de produção capazes de influenciar os preços globais do petróleo. Representa ainda a busca de soberania sobre os rumos da produção nacional de Abu Dhabi.

Os Emirados Árabes foram o terceiro maior produtor de petróleo entre os 12 membros da Opep em março, com 2,4 milhões de barris diários, de acordo com dados da Agência Internacional de Energia. A produção de todos os países foi reduzida devido à guerra no Irã. Naquele mês, sem ter como escoar o petróleo pelo Estreito de Ormuz, a queda foi de 27% em relação ao volume produzido em fevereiro.

Em Washington, o anúncio também ganha leitura política. O movimento é visto como uma vitória para Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, crítico recorrente da atuação da Opep. Trump vinha acusando o grupo de “explorar o resto do mundo”, em referência à percepção de que a organização contribui para manter os preços do petróleo em patamares elevados.

A saída dos Emirados da Opep ocorre em um momento delicado para o setor, marcado por volatilidade nos preços e rearranjos geopolíticos. O ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Mohamed al-Mazrouei, disse à Reuters que a decisão foi tomada após uma análise cuidadosa das estratégias energéticas do país.

Questionado sobre se os Emirados Árabes Unidos consultaram a Arábia Saudita, ele afirmou que o país não levantou a questão com nenhuma outra nação.

— Esta é uma decisão de política, tomada após uma análise cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção.

Efeitos da guerra do Irã

Os produtores do Golfo da Opep já vêm enfrentando dificuldades para exportar através do Estreito de Ormuz, entre o Irã e Omã por onde normalmente passa um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, devido a ameaças iranianas e ataques contra embarcações.

Além do impacto econômico, a decisão dos Emirados adiciona tensão a um tabuleiro regional já sensível. O movimento ocorre após alertas de que aliados na região não estariam fazendo o suficiente para proteger seus próprios interesses diante de ameaças associadas ao Irã.

Os Emirados Árabes Unidos vêm há vários anos expressando sua frustração com a Opep em relação às cotas de produção do cartel, que têm impedido o país de exportar maiores quantidades de petróleo.

Esse desejo o colocou em rota de colisão com a rival regional Arábia Saudita em reuniões da Opep nos últimos anos. A tensão entre os dois países também aumentou neste ano porque, numa disputa por influência regional, Riad e Abu Dhabi apoiaram facções opostas na guerra no Iêmen.

A guerra no Irã tornou as relações na Opep ainda mais tensas porque colocou o Irã, membro do cartel, contra aliados dos EUA no Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

Para Jorge León, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy e ex-funcionário da Opep, o grupo fica "estruturalmente mais fraco” sem os Emirados Árabes Unidos, já que a Arábia Saudita seria o único membro com capacidade ociosa de produção, além dos emirados.

No entanto, mesmo sem os Emirados Árabes Unidos, a aliança mais ampla Opep+ ainda será responsável por cerca de 40% da produção global.

Ebtesam Al Ketbi, presidente do Centro de Políticas dos Emirados, escreveu no X que a saída da Opep marca uma transição de “compromissos coletivos baseados em cotas para uma flexibilidade soberana na gestão da produção, permitindo uma resposta mais rápida a interrupções como as relacionadas ao Estreito de Ormuz”.

Outro ponto que pesa na decisão dos Emirados Árabes é que o país vem buscando diversificar sua economia, apostando no turismo, na tecnologia e no setor financeiro. O governo vem implementando mudanças para se aproximar do Ocidente.

Em janeiro de 2022, por exemplo, o país mudou a configuração do fim de semana de sexta-feira e sábado para sábado e domingo, alinhando-se aos ritmos de Londres, Nova York e Hong Kong, e orientando-se para o comércio global em vez das convenções regionais.

O que é a Opep e como ela funciona?

A Opep reúne 12 países que são grandes exportadores de petróleo. Ela foi fundada em Bagdá, Iraque, em 1960, por cinco nações: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Estes são chamados de membros fundadores.

Ao longo dos anos, outros países aderiram à associação: Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971), Gabão (1975), Guiné Equatorial (2017) e Congo (2018). Esses são os chamados membros plenos, pois não faziam parte do grupo quando ele foi criado.

Entre os membros da Opep há ainda os associados, que são países que não se qualificam para a adesão plena, mas que são admitidos sob condições especiais. De acordo com o estatuto da Opep, eles não têm direito a voto nas reuniões.

A Opep foi criada com o objetivo de estabelecer uma política comum em relação à produção e à venda de petróleo, de forma a influenciar os preços do petróleo no mercado internacional. Por serem grandes produtores, seus membros são capazes mexer com as cotações, ao aumentar ou cortar a produção de forma coordenada.

A saída dos Emirados Árabes não será a primeira. Em 2019, o Catar também abandonou o grupo e, em 2024, a Angola se retirou. Quatro anos antes, o Equador saiu do cartel pela segunda vez.





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