Maritacas são pintadas de amarelo para serem vendidas como papagaios no tráfico de animais
Foto: Divulgação Três maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, passaram por uma situação de maus-tratos ao serem modificadas por traficantes para parecerem papagaios e alcançar maior valor no comércio ilegal de animais.
As aves chegaram ao centro de reabilitação com o rosto pintado de amarelo e com parte das penas das asas e da cauda cortadas. Segundo especialistas, além de prejudicar a aparência natural dos animais, a tinta utilizada pode causar intoxicação e comprometer órgãos como fígado e rins.
No Instituto Vida Livre, no Horto, Zona Sul do Rio de Janeiro, as maritacas recebem atendimento veterinário e passam por exames para avaliar as condições de saúde. Uma delas chegou em estado mais delicado, abaixo do peso considerado ideal, e precisou ser mantida em um ambiente climatizado para auxiliar na recuperação.
De acordo com os profissionais responsáveis pelo tratamento, o corte das penas também atrasa o retorno das aves à natureza, já que elas precisam aguardar o crescimento das novas penas para recuperar a capacidade adequada de voo.
O veterinário Lucas Rebelo explicou que situações como essa são frequentes no combate ao tráfico de animais silvestres. Segundo ele, aves são frequentemente alteradas para serem comercializadas como espécies mais valorizadas no mercado ilegal.
As maritacas foram encontradas em uma área conhecida pelo comércio clandestino de animais e, segundo os especialistas, dificilmente teriam sobrevivido por muito tempo nas mãos dos traficantes devido às condições de captura e transporte.
Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) apontam que milhões de animais são retirados da natureza todos os anos no Brasil. Grande parte não sobrevive ao processo de captura e comercialização ilegal.
Os órgãos ambientais reforçam que a compra de animais silvestres alimenta uma cadeia de exploração e maus-tratos. A orientação é que a população não adquira animais sem origem legal e denuncie práticas de comércio ilegal.




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