Grupo planejava ataque a Brasília durante eleições de 2026, aponta investigação da Polícia Civil
- Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles Um grupo de oito homens teria planejado um ataque contra prédios públicos em Brasília durante o período eleitoral de 2026, segundo investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Os suspeitos foram alvo da Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4).
De acordo com a PCDF, o planejamento teria sido articulado em um grupo virtual no Telegram, usado pelos investigados como espaço para discutir estratégias e organizar uma ação violenta contra estruturas do sistema político brasileiro.
Em coletiva de imprensa, o delegado Maurílio Coelho informou que os suspeitos pretendiam provocar uma “revolução política” e não demonstravam alinhamento declarado com grupos de esquerda ou direita. Segundo ele, o alvo seria o que os investigados classificavam como o atual sistema político.
A investigação apontou que o grupo elaborou mapas da região central de Brasília, com identificação de ministérios, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF). O Palácio do Planalto teria sido apontado como “alvo primário” pelos suspeitos, que chegaram a acessar plantas do prédio.
“O grupo não citava nomes específicos. Essa é uma característica observada nas investigações. É como se fossem contra o sistema político, sem determinar se são de esquerda ou de direita”, afirmou o delegado.
Segundo as autoridades, os ataques estariam previstos para ocorrer em outubro deste ano, mas ainda não foi identificada uma data específica nem a forma como as ações seriam executadas.
A investigação também identificou o compartilhamento de materiais relacionados à fabricação de artefatos explosivos, o que levou a Polícia Civil a cumprir medidas cautelares para apreensão de equipamentos e preservação de provas digitais.
As apurações começaram após informações coletadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que encaminhou os dados ao Ciberlab, laboratório ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. A partir disso, houve uma atuação conjunta com a PCDF e polícias civis de outros estados.
A Operação Rede Interrompida cumpriu medidas contra oito investigados, com idades entre 19 e 31 anos, nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Segundo a polícia, nenhum deles possui antecedentes criminais.
As buscas têm como objetivo recolher dispositivos eletrônicos, recuperar provas digitais, identificar possíveis conexões e esclarecer o grau de organização do grupo.
Até o momento, a investigação apura possíveis crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo. A PCDF informou que, nesta etapa, os fatos ainda não foram enquadrados na Lei de Terrorismo.




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